segunda-feira, 10 de maio de 2010

Veja a carta escrita pelo filho do autor do hino à Dracena:

UM HINO, UMA HISTÓRIA, UMA VERGONHA,,,




Eu gostaria de ter puxado ao meu pai. Ser poeta e músico. Mas, infelizmente isso não depende só de gosto. Tem que nascer com o dom. Meu pai, com apenas o quarto ano primário, nasceu com esse dom e mais alguns outros (alfaiate, cozinheiro “internacionar” como se expressava no linguajar característico de sua cidade natal, redator e diretor de jornal, e mais alguns etceteras).



Era, por sinal, a ele que nós filhos – todos com formação superior - recorríamos para descobrir significados de algumas palavras. Nasceu em Tietê. Recém casado, veio buscar no oeste do estado de São Paulo o seu ganha pão.



Primeiramente Martinópolis, depois Presidente Prudente, Presidente Venceslau, aventurou-se em São Paulo no ramo de bar e restaurante, voltou para Venceslau e em meados de 1960 veio para Dracena abrir a Cantina Bologna ali na Praça da Bandeira, como era denominada a atual Praça Arthur Pagnozzi.



Aí, na Cantina, ele trouxe muito divertimento, cultura e sabor que até hoje são lembrados por quem frequentou aquela casa. Não são poucos os que me dizem que o Filé à Parmigiana foi o melhor que já comeram. Outros lembram do Filé à Cubana, do Bacalhau à Gomes de Sá, e tantos outros pratos que ele pessoalmente, ou minha mãe, elaborava e depois achegava-se à mesa para ouvir os elogios. Não é pór ser meu pai, mas eram merecidos mesmo. Dracena o recebeu de braços abertos e ele tornou-se um dracenense da gema. Cantou e declamou a cidade em prosa, verso e música.



Muitos dracenenses ganharam uma poesia do velho Aécio. Seus netos, todos. Nos escritos que deixou tem poemas dedicados a Marias, Nancis, Rosas, Fernandas, Denises, num infindável desfilar de nomes a quem dedicou versos. Cada Escola em que lecionou tem o seu Hino. Municípios vizinhos e até mais distantes, também E a esta cidade dedicou o seu Hino à Dracena, construído em 1964 e oficializado por Lei sancionada e promulgada pelo Prefeito Galeno em 21 de novembro de 1967.



A Lei n°1240 de 17 de maio de 1978 torna obrigatória a execução do Hino a Dracena nas solenidades e festas cívicas do município e recentemente também obrigatória a sua execução uma vez por semana nas escolas públicas e particulares de ensino fundamental. Um fato novo, porém, veio à tona do início do mês. Acidentalmente meu irmão, João Luiz, pesquisando na Internet deparou com os versos do Hino dracenense inserido no hino da cidade de Tabapuã, município da região de Catanduva. Com uma introdução, entremeando um estribilho entre as estrofes do Hino à Dracena, com mínimas alterações, e um encerramento, sem o cuidado de, ao menos alterar para Cidade-Jardim o cognome daquela cidade, adotando o Cidade-Milagre da nossa Dracena, o que é prova inconteste do plágio.



O Hino à Tabapuã foi instituído pela lei nº 1.679 de 23/05/2001, elaborado através do decreto nº 042 de 04/06/2001 e homologado pelo decreto nº 099 de 06/11/2001 (site da cidade).



Plágio, segundo o dicionário é cópia, mais ou menos disfarçada, de obra alheia. E essa obra não mais pertence à família. Pertence à Dracena. Pertence a cada habitante desta cidade e o que foi feito é um acinte à memória do seu autor e a esta cidade, merecendo, de cada cidadão, o seu repúdio e a reparação do erro. Não é possível aceitar que o “diamante de fino quilate” tenha sido “furtado” juntamente com as demais jóias da letra do nosso Hino. O mínimo que podemos admitir é a revogação daquela lei que instituiu o malfadado Hino de Tabapuã.



Nada, evidentemente, contra a cidade de Tabapuã e seus habitantes, igualmente usurpados e logrados em sua boa-fé. Suas crianças jamais perdoarão terem, inocentemente, cantado em suas escolas palavras que não pertenciam à história e às riquezas de sua cidade.






Com certeza sabem que as palavras representam em muitos pontos aquilo que admiram no local onde nasceram ou moram, mas não lhes pertencia, não se tinha o direito, e se sentirão envergonhados...



A Câmara Municipal fez a sua parte. Aprovou uma moção de protesto enviado à Prefeitura, Câmara e imprensa daquela cidade. Conclamamos os Clubes de Serviço, a Prefeitura, todos enfim, a que se unam nesse protesto para reparar esse episódio desagradável às duas municipalidades.



Aécio de Féo Flora Filho

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